Os
profissionais de saúde ao prescreverem um exercício devem estar
conscientes e informados dos efeitos fisiológicos na pressão arterial
causado pelo desempenho dos exercícios de força durante a manobra de
Valsalva. Essa situação geralmente ocorre em isometria ou num exercício
intenso contra resistência quando um indivíduo exerce por um tempo
prolongado e extenuante. Durante uma manobra de Valsalva a glote é
fechada e a pressão intra-abdominal é aumentada pela contração do
diafragma e músculos abdominais, havendo também um aumento da pressão
intratorácica pela força de contração da musculatura respiratória. O
resultado disto é a diminuição do fluxo sanguíneo venoso para o coração
e imediatamente os baroreceptores localizados no seio paranasal
carótido e o arco aórtico imediatamente identifica a diminuição no
rendimento cardíaco e envia informação pela medula por intermédio do 9º
e 10º nervos cranianos para o cérebro, inibindo a atividade
parassimpática e promovendo a ação do sistema nervoso simpático. Como
um mecanismo de sobrevivência, o cérebro exige um aumento do batimento
cardíaco e da pressão sanguínea para manter adequado a perfusão
(bombeamento de um líquido através de um órgão).
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Para
impedir que o indivíduo realize uma manobra de Valsalva, o profissional
de saúde deve informá-lo sobre a participação da respiração e
instruí-lo da técnica apropriada para a sua execução. Em um
levantamento de peso repetitivo de baixa intensidade o indivíduo pode
falar ou contar durante a execução deste para minimizar ou inibir a
ação do bloqueio da respiração. No caso dos iniciantes freqüentemente é
usada a respiração livre (inspirar e expirar durante o movimento). Isto
nos leva a concluir que o princípio da biomecânica combinada com as
fases respiratórias é a grande estratégia contra a manobra de Valsalva.
Em indivíduos treinados a manobra de Valsalva é encorajada durante um
curto espaço de tempo num esforço máximo, porém a mais indicada é a
expiração forçada que deve ser utilizada quando possível. Essa manobra
em indivíduos iniciantes não deve ser usada, mas caso seja utilizada o
esforço máximo leva a uma alta pressão intra-abdominal que é
considerada útil, pois diminui a carga de compressão no disco
intervertebral e pode diminuir a incidência de lesões enquanto
simultaneamente aumenta a capacidade de força, no entanto os indivíduos
não devem inspirar ao máximo antes do levantamento sendo isto
desnecessário pois, a pressão intratorácica é aumentada.
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Nos
indivíduos com problemas cardiovasculares (hipertensão, enfarto,etc.)
deve ser evitada essa manobra, pois há um bloqueio respiratório,
sofrendo o risco de haver um pico anormal pressório durante a manobra.
Como a manobra no exercício intenso de força induz uma hipertensão
arterial fisiológica, durante esses exercícios a pressão sistólica é
freqüente exceder de 200mmHg dependendo da força e duração da manobra.
Narloch e Brandstater descobriram a baixa média pressão arterial
durante a execução do leg press bilateral quando os sujeitos lentamente
expiraram na fase concêntrica do que, quando eles tem estado com a
glote fechada(198/175 mmHg comparada 311/284 mmHg). Esse dados foram
encontrados a partir de 85% a 100% 1RM. Idosos e indivíduos com recente
cirurgia abdominal ou herniação da parede abdominal devem também ser
monitorizado.
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Podemos
chegar a conclusão que o efeito da manobra de Valsalva na pressão
sanguínea, pode ser evitada pela instrução da respiração adequada
monitorizada por um profissional de saúde no trabalho de força,
evitando assim, os picos anormais da pressão arterial.
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Referências Bibliográfica
1. Kisner C, Colby L. Therapeutic exercise: foundations and
techniques. Philadelphia 1990.
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2. Narloch J, Brandstater M. Influence of breathing technique on arterial blood pressure during heavy weight lifting. Arch Phys Med Rehabil 1995;76(5): 457-462.
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3. Nieman D. Fitness and sports medicine. A health related approach. Champaign, IL: Human Kinetics, 1997.
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4. Simão R. Treinamento de força e potência na musculação. Ed Phorte. São Paulo 2002.
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5. Wilmore T, Costill D. Physiology of sport and exercise. Champaign, IL: Human Kinetics, 1994.
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6. Zatsiorsky VM. Ciência e prática do treinamento de força. Ed. Phorte. São Paulo 1999.
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Fonte: Fit News
Data da Publicação: 18/06/2002
Código de referência: 211
Autores:
Roberto Simão
Mestre em Ed. Física – Universidade Gama Filho (UGF)
Professor dos cursos de Pós-Graduação em Musculação e Treinamento de Força - UGF
Sydney Resende, Antônio Teixeira, Heloisa Durão, Adriana Alencar, Lílian Oliver.
Pós – Graduados em Musculação e Treinamento de Força – UGF (Salvador)
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