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quarta-feira, 31 de março de 2010

A MANOBRA DE VALSALVA DURANTE O EXERCÍCIO DE FORÇA


Os profissionais de saúde ao prescreverem um exercício devem estar conscientes e informados dos efeitos fisiológicos na pressão arterial causado pelo desempenho dos exercícios de força durante a manobra de Valsalva. Essa situação geralmente ocorre em isometria ou num exercício intenso contra resistência quando um indivíduo exerce por um tempo prolongado e extenuante. Durante uma manobra de Valsalva a glote é fechada e a pressão intra-abdominal é aumentada pela contração do diafragma e músculos abdominais, havendo também um aumento da pressão intratorácica pela força de contração da musculatura respiratória. O resultado disto é a diminuição do fluxo sanguíneo venoso para o coração e imediatamente os baroreceptores localizados no seio paranasal carótido e o arco aórtico imediatamente identifica a diminuição no rendimento cardíaco e envia informação pela medula por intermédio do 9º e 10º nervos cranianos para o cérebro, inibindo a atividade parassimpática e promovendo a ação do sistema nervoso simpático. Como um mecanismo de sobrevivência, o cérebro exige um aumento do batimento cardíaco e da pressão sanguínea para manter adequado a perfusão (bombeamento de um líquido através de um órgão).

Para impedir que o indivíduo realize uma manobra de Valsalva, o profissional de saúde deve informá-lo sobre a participação da respiração e instruí-lo da técnica apropriada para a sua execução. Em um levantamento de peso repetitivo de baixa intensidade o indivíduo pode falar ou contar durante a execução
deste para minimizar ou inibir a ação do bloqueio da respiração. No caso dos iniciantes freqüentemente é usada a respiração livre (inspirar e expirar durante o movimento). Isto nos leva a concluir que o princípio da biomecânica combinada com as fases respiratórias é a grande estratégia contra a manobra de Valsalva. Em indivíduos treinados a manobra de Valsalva é encorajada durante um curto espaço de tempo num esforço máximo, porém a mais indicada é a expiração forçada que deve ser utilizada quando possível. Essa manobra em indivíduos iniciantes não deve ser usada, mas caso seja utilizada o esforço máximo leva a uma alta pressão intra-abdominal que é considerada útil, pois diminui a carga de compressão no disco intervertebral e pode diminuir a incidência de lesões enquanto simultaneamente aumenta a capacidade de força, no entanto os indivíduos não devem inspirar ao máximo antes do levantamento sendo isto desnecessário pois, a pressão intratorácica é aumentada.
Nos indivíduos com problemas cardiovasculares (hipertensão, enfarto,etc.) deve ser evitada essa manobra, pois há um bloqueio respiratório, sofrendo o risco de haver um pico anormal pressório durante a manobra. Como a manobra no exercício intenso  de força induz uma hipertensão arterial fisiológica, durante esses exercícios a pressão sistólica é freqüente exceder de 200mmHg dependendo da força e duração da manobra. Narloch e Brandstater descobriram a baixa média pressão arterial durante a execução do leg press bilateral quando os sujeitos lentamente expiraram na fase concêntrica do que, quando eles tem estado com a glote fechada(198/175 mmHg comparada 311/284 mmHg). Esse dados foram encontrados a partir de 85% a 100% 1RM. Idosos e indivíduos com recente cirurgia abdominal ou herniação da parede abdominal devem também ser monitorizado.
Podemos chegar a conclusão que o efeito da manobra de Valsalva na pressão sanguínea, pode ser evitada pela instrução da respiração adequada monitorizada por um profissional de saúde no trabalho de força, evitando assim, os picos anormais da pressão arterial.

 Referências Bibliográfica

     1.  Kisner C, Colby L. Therapeutic exercise: foundations and
         techniques. Philadelphia 1990.
2.  Narloch J, Brandstater M. Influence of breathing technique on  arterial blood pressure during heavy weight lifting. Arch Phys Med Rehabil 1995;76(5): 457-462.
3.  Nieman D. Fitness and sports medicine. A health related approach. Champaign, IL: Human Kinetics, 1997.
4.  Simão R. Treinamento de força e potência na musculação. Ed Phorte. São Paulo 2002.
5.  Wilmore T, Costill D. Physiology of sport and exercise. Champaign, IL: Human Kinetics, 1994.
6.  Zatsiorsky VM. Ciência e prática do treinamento de força. Ed. Phorte. São Paulo 1999. 
Fonte: Fit News
Data da Publicação: 18/06/2002
Código de referência: 211


Autores:
Roberto Simão
Mestre em Ed. Física – Universidade Gama Filho (UGF)
Professor dos cursos de Pós-Graduação em Musculação e Treinamento de Força - UGF
Sydney Resende, Antônio Teixeira, Heloisa Durão, Adriana Alencar, Lílian Oliver.
Pós – Graduados em Musculação e Treinamento de Força – UGF (Salvador)

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